Fashion-maker de primeira.
“Apaixonado por tecnologia, o paulistano Jum Nakao chegou a cursar engenharia eletrônica, mas acabou optando por artes plásticas na Faap, faculdade da qual saiu em 1987 sem o diploma, por não ter feito as aulas de licenciatura. Era início dos anos 80 e a cultura underground fervia. Jum freqüentava o mítico Madame Satã, reduto da modernidade da época, e observava como o vestuário tinha a ver com as atitudes. Assim, entrou na moda pela possibilidade de transformação e libertação.
A formação em moda veio em cursos no CIT, Centro Industrial Têxtil, onde aprendeu com professores como Marie Ruckie, Vera Lígia e Alba Noschese.”
- Fonte: http://estilo.uol.com.br/moda/estilistas/jum_nakao.jhtm
Entrevista de Jum Nakao para o
Diário de Pernambuco.
O que os freqüentadores das suas palestras costumam ouvir?
Mostro a moda de vários ângulos. Tenho um lado realista,quase assustador, que apresenta os números para um futuro próximo. Em 2010, vamos importar duas vezes mais que agora. Isso siginifica um desaquecimento na nossa produção. Mas deixo claro que se você é criativo, se pensa diferente da maioria, sempre vai ter chance de sobressair.
O criador brasileiro tem vocação para pensar diferente.
Vivemos uma subcultura de moda. Olhamos revistas, observamos o que acontece nos desfiles internacionais etentamos transplantar uma realidade estranha para a nossa. Acho de uma burrice incrível quando se está num país que produz, nas plásticas alguém como Gilvan Samico. E na literatura um gênio do porte de Ariano Suassuna.
O que seria necessário, então, para abandonar essas idéias pré-concebidas e mergulhar no novo de verdade.
Questionar o tempo inteiro, manter a capacidade de romper os paradigmas. Deixar de agir como se fosse uma parte da manada, como vejo os estudantes de moda e até mesmo os profissionais fazendo.
As escolas de moda incentivam essa quebra de mesmice?
Muito pelo contrário. Muito pelo contrário. Maioria está jogando gente no mercado apenas para dar continuidade a esse processo, fingindo que formou criadores. Assim, o Brasil jamais sairá da posição de esportador de matéria-prima, que não traz valor agregado em sua venda. Para concorrer com gigantes como China e Índia, deveríamos exportar a nossa marca.
Pode citar um caminho viável para tal marca Brasil?
Basta olhar o que a Espanha fez em 1992, com as Olimpíadas de Barcelona. Usaram os jogos como arma de marketing poderosa, divulgando nomes das suas grifes. Custo Barcelona é uma delas. No cinema, Pedro Almodóvar exibia o jeito de ser dos espanhóis. Mas não adianta fazer uma melhoria na fachada, um make up. O processo, aqui no país, pede mais profunidadede.
O que ele produziu?
Em 1987, quando ainda não havia um circuito de desfiles no Brasil, juntamente com Walter Rodrigues e Conrado Segreto, integrou o projeto pioneiro Cooperativa de Moda, em que estilistas de grandes confecções mostravam trabalhos próprios.
Mas o reconhecimento público só veio quase dez anos depois, em 1996, no Phytoervas Fashion. Jum trabalhava na Carmin e desligou-se da grife especialmente para se dedicar ao evento. O desfile, inspirado em Bibelô, personagem do cartunista Angeli, foi uma grande vitrine. Logo em seguida o estilista foi convidado para entrar na Zoomp, onde passou seis anos como gerente de criação.
Paralelamente a esse trabalho, ainda criou coleções para mais duas edições do Phytoervas e, de 1998 e 2000, participou da Semana de Moda Casa dos Criadores.
Entre 2002 e 2003, fez parte do Hotel Lycra, como sócio-curador, convidado pela Dupont. E hoje, junto com a mulher Lelê, Jum concentra-se em sua própria marca, inscrita no Calendário Oficial da Moda - São Paulo Fashion Week desde 2002.
Fortemente influenciado pela tecnologia, pela estética japonesa e pelos filmes de animação, seus desfiles já se tornaram um acontecimento cercado de grande expectativa. Performático, o estilista gosta de causar impacto, mas sempre com grande encantamento da platéia.
No início de 2004, por exemplo, no lançamento da temporada outono-inverno, criou e recriou looks em plena passarela, sobrepondo as roupas nos modelos. Em julho último, a coleção feita de papel e rasgada após o desfile repercutiu na mídia do Brasil inteiro, valendo um elogio da consultora de moda Glória Kalil: “Não foi um desfile de moda. Foi um desfile sobre moda”.
http://www.jumnakao.com.br/
Maio 3, 2008 em 10:45 pm
O Jum se garante demaais!
Gosto dele =p
Ele é bem indiefuckingstyle/!
=D